Na mesma altura em que se levantavam os Alpes e a Serra da Estrela, há cerca de 4 milhões de anos, o espaço que nos rodeia levantou-se do mar e o rio Lis nasceu, no lugar das Fontes! Nessa altura não havia humanos, o clima era subtropical e a Biosfera descobria o poder das flores. O ensaio começou com as plantas que produziam simultaneamente pinhas e flores enormes. Demorou pouco tempo até que as plantas locais com flor percebessem que não precisavam de construir pinhas e que se podiam aliar aos insetos para propagar os seus esporos (grãos de pólen), oferecendo-lhes um manjar de néctar, e se podiam aliar aos mamíferos e aves para propagar as suas sementes, oferecendo-lhes frutos doces e irresistíveis.
O que vemos hoje, ao caminhar ao longo das estradas e trilhos das Fontes, é uma flora biodiversificada de ervas, arbustos e árvores, com flores de cores vivas, frutos comestíveis e aromas cativantes. Na Serra, entramos em espaços de flora mediterrânica com algumas influências atlânticas, onde há espécies de carvalhos autóctones, figueiras, nogueiras, pinheiros, matos de carqueja, cistos, giestas e medronheiros, ervas aromáticas e medicinais e vegetação adaptada ao desafiante ambiente cársico onde a água abunda no inverno frio e escasseia no verão quente. O ar é puro e isso confirma-se pelo volume e bom estado dos líquenes que crescem nas árvores e nas pedras.
Cá em baixo, mais perto do Rio Lis e da nascente do Olho, a paisagem é fresca e as sombras dos salgueiros, amieiros, freixos e choupos sabem bem no verão. Há arbustos de sabugueiro e pilriteiro, silvados com amoras silvestres, rosmaninho, bocas-de-lobo e madressilvas e, nas margens do rio, ao lado dos musgos, é fácil encontrarmos ranúnculos, vincas, umbigos-de-vénus, cavalinhas, polipódios, erva cidreira, aráceas e lírios.
Os nossos alojamentos encontram-se identificados por plantas de flor, autóctones. Eis algumas curiosidades sobre cada uma delas!
Com 30 a 50 cm de altura e com as partes verdes cobertas de pelos, as suas flores são comestíveis e aparecem entre fevereiro e abril; têm propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes usadas em feridas da pele e mucosas. A calêndula pode ser usada em infusões como calmante e antiespasmódico muscular. As flores atraem polinizadores e são, por isso, relevantes na agricultura biológica e na saúde dos ecossistemas.
Em culturas antigas, o lírio-dos-charcos aparece associado a deidades aquáticas e mitos de fertilidade e renascimento. Associamos a sua presença à pureza e à renovação, dado que exige viver num ambiente limpo e fresco. Mas, tome atenção! Todas as partes deste belo lírio contêm compostos tóxicos para os mamíferos em geral, por isso, evite tocar nesta planta. Pode causar náuseas, vómitos, diarreias e problemas cardiorrespiratórios.
Usa as moscas e as abelhas para cruzar o seu pólen com outros lírios.
Também conhecida por salsaparrilha, esta trepadeira chegou-nos de latitudes subtropicais. Aparece entre a vegetação densa e usa gavinhas e espinhos para se prender nas plantas vizinhas. A alegra-campo dá flores brancas e, entre agosto e outubro, produz bagas vermelhas escuras, que servem de alimento a pequenos mamíferos e aves.
Na medicina tradicional, a sua raiz é usada como diurético e auxiliar no combate às infeções urinárias, asma, artrite e gota.
É um trevo porque as suas folhas verdes são formadas por três folíolos. Como parte da grande família das leguminosas, as raízes mais finas do trevo-estrelado têm a capacidade de negociar uma troca de benefícios com as bactérias fixadoras de azoto, residentes no solo. Com esse azoto, os trevos adubam os solos com amónia e nitratos e produzem proteínas que servem a sua própria beleza, funcionalidade e crescimento. Produzem um bom manjar de néctar, viciante para borboletas e abelhas. É um indicador de solos calcários secos e pouco perturbados.
Este quarto tem história, camada por camada, fazendo parte da antiga moradia que incluía três quartos por onde passaram várias gerações. Este lugar é um refúgio. É um lugar intemporal. É uma espaço que não grita, oferecendo elegância sem ostentação. Diretamente virado para a rua principal da aldeia, onde o rio vagueia, podemos deixar-nos ficar mais uns dias usufruindo de sala e cozinha equipada.
A bela-luz cresce nos matagais e terrenos rochosos, em áreas de vegetação rasteira, nos trilhos da Serra. É um tomilho de aroma intenso, com propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias. As suas folhas e raminhos são usados em infusões para ajudar a resolver problemas de digestão, tosse e constipações. Tem um sabor forte e picante e, embora seja usado no tempero de carnes, não é tão apreciado na culinária mediterrânica como é o tomilho comum.
Atrai polinizadores e, por isso, ajuda na conservação da biodiversidade.
Na arquitetura clássica da Grécia antiga, o estilo coríntio caracteriza-se por colunas cujos capitéis são ornamentados com folhas do acanto-dos-poetas, símbolo de elegância e sofisticação. Os médicos desse tempo receitavam infusões de acanto para muitas maleitas. Folhas jovens, flores e raízes são usadas, ainda hoje, em cataplasmas, compressas e gargarejos.
O acanto-dos-poetas vive bem em zonas húmidas, sombreadas, nas bordas de encostas arborizadas, no caminho de terra batida para a Grota. As flores do acanto fornecem néctar e pólen aos insetos e, por isso, esta planta contribui para a conservação da biodiversidade local.
Este pequeno quarto contemporâneo, de estética minimalista de cimento e pedra, está no piso 0 e é o único do edifício complementar que usa as paredes do antigo quarto existente neste bloco. Os tons prata da pedra apelam a uma palete harmoniosa, de quietude e subtileza, criando uma ponte entre o antigo e o novo, num acento de versatilidade que resulta fresco e elegante. É um quarto térreo e como tal serve pessoas de mobilidade reduzida pela sua facilidade de acesso.
Anemone é uma palavra que deriva do grego e que significa literalmente “filha do vento”. Acreditava-se que as flores deste ranúnculo (umas amarelas, outras brancas) só abriam quando sopradas pelo vento do início da primavera. O restritivo específico palmata significa “como a palma da mão”, uma referência à forma das suas folhas.
São herbáceas perenes que se encontram em zonas húmidas argilosas-arenosas, nas clareiras de matos e nas margens das linhas de água.
Este é um lugar puro de autenticidade. Esta casa de campo não está inserida no edifício Grota, mas sim na Servigueira, à distância de 1 km. Dispõe de três quartos com capacidade para cinco pessoas, bem como sala e cozinha equipada. Embora não seja servida com pequeno-almoço, a casa oferece todas as condições para que os hóspedes o preparem por si mesmos – como se estivessem na sua própria casa.
Na mobília, o pinho maciço certificado exala o seu perfume, e o soalho antigo, os cortinados típicos de algodão e as olarias da Bajouca e do Juncal, identitárias da nossa região, marcam este espaço térreo, da mesma simplicidade rural dos anos 60-80 do século passado.
Daqui podemos dar um passeio pelas explorações vizinhas de agricultura familiar. Portugal é descrito como o último país rural da Europa pela arqueologia da sua paisagem. Desejamos que na relação com esta ruralidade, encontre a genuinidade de um território retalhado pelos seus diversos caminhos, serventias e carreiros, por eles indo ter à nascente do rio Lis.
Estrada das Camarinhas 470
2410-850 Leiria, Portugal
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